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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Acreditem: vivemos num país tropical!!!!

Faz tempo que não posto. Os motivos são muitos, dariam até um post. Quem sabe...
Mas senti que era hora de alguém falar sobre o uso indiscriminado do ar condicionado! Brasília é uma cidade situada no Planalto Central. Temos uma temperatur amena, no geral. O clima é seco, mas as temperaturas não são muito elevadas. Estes dias têm sido diferentes. O calor chegou hoje, dia 28/10, a 35 graus. Ontem fez 33 e dia 17 de outrubro 34. A umidade do ar tem caído a 19%, coisa inimaginável num mês de outubro. Devem ser efeitos das mudanças do clima.
Mas eu quero falar de um comportamento comum por aqui e que neste clima de verão sahaariano se agrava: As pessoas não acreditam que moram num país tropical! Esta descrença faz com que se vistam como se estivessem vivendo em qualquer cidade do sul do país e, claro, faltam morrer de calor e por isto ligam o ar condicionado gelado. Daí, quem vive em Brasília, acredita e gosta, falta morrer de frio e dor de garganta e asma e sinusite e todos os "ites" possíveis e imagináveis. Não falta quem vá trabalhar de jeans e camisa, blusa preta, tênis, meia e outras peças de vestuário que ficariam adequados em São Paulo, Curitiba ou Porto Alegre, mas que em Brasília é inconcebível. Vestidos, sais e bermudas são algumas alternativas práticas e saudáveis para as moças e bermudas, calças de algodão e linho e camisas servem para o rapazes e não doem. Inclusive a Zara, a Broksfield e a Rener (pra não dizer que só falei de lojas caras) estão com coleções lindas de bermudas que ficam bem até com blaser, se o local do trabalho for mais formal. Roupas leves neste calor é medida de segurança. O site do Corpo de Bombeiros do DF recomenda beber muito líquido, ingerir comidas leves e VESTIR ROUPAS LEVES e claras (
http://www.cbm.df.gov.br/?cat=1&page=36).
O ar condicionado além de fazer mal a saúde, nem sempre têm seus filtros limpos e poluem o meio ambiente.
A Organização das Nações Unidas (ONU) recomendou, recentemente, que os funcionários de todas as suas sedes usassem roupas mais leves para diminuir o uso do ar condicionado. Que tal tentarmos o mesmo?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

As benevolentes

Acho uma atrocidade matar pessoas por sua raça, cor, credo ou qualquer outro fator discriminatório. Porém há uma super-exploração da catástrofe que se abateu sobre os judeus durante a segunda guerra mundial. Morreram 6 milhões de judeus, 10 milhões de poloneses e 20 milhões de russos. Mas só se fala da questão judaica. Infelizmente não é novidade que povos sejam exterminados ao bel prazer de alguns tiranos, vide Afeganistão e o Iraque para sermos contemporâneos. E todo ano é lançado um livro, um filme, documentários sobre a questão judaica na segunda guerra. Eu desde a Lista de Schindler do Spielberg, não vejo e nem leio mais nada sobre o holocausto. Porém me deparei com um livro de título intrigante e capa belíssima, toda vermelha: As benevolentes de Jonathan Littell.
Jonathan é um judeu americano de origem polonesa, seu pai é o renomado escritor Robert Littell. As benevolentes é a primeira obra de Jonathan, tem quase mil páginas, ganhou o prêmio Goncourt e o prêmio da Academia Francesa em 2006. Ou seja, o rapaz começou bem.
O livro narra a autobiografia do personagem Maximilian Auê, um oficial da Schutzstaffel, tropa de elite nazista. É fictícia, mas muito bem fundamentada e documentada. Conta de maneira detalhada como as coisas aconteciam. Como as pessoas não pensavam no todo e apenas “cumprindo ordens” produziram o massacre que conhecemos. Maximilian esteve presente nos momentos cruciais e com pessoas importantes dentro do xadrez nazista dos acontecimentos.
Auê era um oficial que entrou para a SS muito mais por seus problemas pessoais do que por convicções nazistas. Ele até acreditava que os judeus eram seres inferiores, mas não pensava exatamente nisto ou que por isto eles devessem ser mortos. O romance mostra como até mesmo oficiais alemães, como o lingüista Voss amigo de Auê, contestavam esta teoria e que havia outros, como o dr. Hohenegg, que não estava a par do que acontecia, simplesmente fazia o trabalho dele sem se perguntar qual o destino dos judeus, poloneses e os “vermelhos”depois que eram presos e que saíam do front.
A formulação do personagem Maximilian é que não é simples viver um período de guerra e que ninguém faz o que os alemães fizeram sem que o mundo soubesse. Não é uma tentativa de justificar os atos, mas de mostrar o que já sabemos e nunca questionamos, ou ao menos a maioria de nós, que a história é escrita pelos vencedores. Segundo o oficial é simples criar um tribunal e julgar pessoas com leis criadas depois dos crimes cometidos e mais, para julgar os vencidos. Como seria a história se a Alemanha tivesse ganhado a guerra? Eichmann, que no livro é retratado como um funcionário limitado, uma pessoa comum – uma referência ao Eichmann em Jerusalém da Hannah Arendt - teria sido condenado? Estaríamos lamentando os 6 milhões de judeus ou estes números, que o livro faz uma relação número de mortos/hora de guerra, seria contado apenas como “mal necessário”? Para Auê as pessoas faziam o que todo mundo faz no seu dia-a-dia, cumprem sua função. Em determinado momento do livro ele afirma: “Se você nasceu em um país ou uma época em que não apenas ninguém vem matar sua mulher e seus filhos como ninguém vem lhe pedir para matar as mulheres e os filhos dos outros, agradeça a Deus e vá em paz. Mas nunca tire isso da cabeça: pode ser que você tenha mais sorte que eu, mas não é melhor.”
A trama é permeada por acontecimentos da guerra e a guerra pessoal do oficial. Filho de mãe francesa e pai alemão que servira na primeira guerra e depois abandonou a família, ele odeia a mãe por ter se casado com outro homem depois do desaparecimento do pai e mantinha, quando criança e adolescente, um relacionamento incestuoso com a irmã gêmea. Por ter prometido à irmã que não teria outra mulher, mantinha relacionamentos homossexuais.
O livro é interessantíssimo. Os acontecimentos pessoais não o deixam ser maçante, visto que é denso. E os episódios de batalhas, como Stalingrado, e as atrocidades contadas não deixam passar despercebido o valor histórico do livro. Jonhatahn Littell começa sua carreira muito bem. Já espero o próximo livro do autor.
Voltarei, depois, a outros aspectos do livro.
Serviço:
As Benevolentes
Jonathan Littell
Alfaguara/Objetiva, 2007
912 páginas, R$ 79,00

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Férias de Julho

Viajei nos últimos dias. Conheci Gurupi, que fica no Tocantins. É sem dúvida o lugar mais que eu já visitei. Mas há um movimento turístico na região que chama a atenção.

Gurupi, bem como Porto Nacional e Palmas, cidades que eu visitei desta vez, ficam às margens do Rio Tocantins. O site Wikpédia informa que o Tocantins é o maior rio totalmente brasileiro, com 2.600 km de extensão. Fui conferir o dado e o mesmo site me diz que o São Francisco tem 2.800 Km de extensão. Como não tenho à mão outra fonte de informação, fiquemos com a dúvida. Hoje funcionam ao longo do Tocantins cinco hidrelétricas: Serra da Mesa, Cana Brava, São Salvador, Lajeado e Tucuruí. Outras duas estão em construção: A do Peixe e a de Estreito. Ainda há a de ipueira, que teve a sua construção suspensa.

No Peixe, ainda há uma praia natural e linda. É muito bonito e há uma estrutura adaptada para o recebimento de turistas. Uma balsa, que custa R$ 5,00 ida e volta, te atravessa da margem do rio para uma ilha que é um banco de areia. Lá há várias barracas que oferecem de tudo, de comida e bebida a uma pousada. Os banheiros são químicos e há uma ampla área para camping. Confesso que o excesso de barulho do sistema de som não me agradou e daí fui para a beira do rio, estiquei minha canga e aproveitei a bela paisagem sem música alguma.

Já em Porto Nacional, uma cidade que comemorou no último dia doze, 270 anos de história e 147 de emancipação, a barragem do Lajeado fez com que o rio formasse um grande lago e as altoridades locais têm feito um esforço para recuperar o turismo no local. Criou-se uma praia artificial com uma infra-estrutura invejável . Além disto a cidade conta diversos pontos turísticos, como a catedral, belíssima, construída em 1884.

É bom conhecermos o interior do país. Nos reserva belas surpresas.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A fama não é selo de qualidade

A frase é óbvia, mas ainda assim acho que vale ressaltar. Em Brasília há lugares que são famosos, vivem cheios e não são bons. Claro que tudo depende do referencial e vou explicar o que quero dizer.
O Beirute é um restaurante que existe a mais de 40 ano em Brasília e tem uma filial recentemente aberta. O lugar é conhecido por abrigar todas as tribos. E, embora o nome seja árabe e tenha um excelente quibe, é famoso por servir um dos melhores filés à parmegiana da cidade, segundo pesquisa do Correioweb. Mas o atendimento é péssimo. Os garçons são desatentos e a comida demora. Sábado passado, cheguei no restaurante da Asa Sul, que fica na quadra onde moro, às 14h e o restaurante estava lotado. Tudo bem, final de semana em Bsb é assim mesmo. Mas além de nenhum garçon se dignar a vir falar conosco, ao abordar um deles fui informada que deveria procurar o " de camisa verde". Quando cheguei a ele e perguntei se havia uma mesa para sentarmos ele grosseiramente me disse que tinha que esperar e que tinham 6 pessoas esperando. Tentei perguntar se eram 6 mesas ou seis pessoas numa mesma mesa, ele já correndo me respondeu " tem 6 pessoas esperando se quiser fica na fila!". Brasília tem mais de 400 restaurantes. São mais de 120 só na Asa Sul. Eu não preciso ouvir isto. Fui caminhando mesmo para o Xique-Xique, onde o atendimento é sempre bom, a comida de altíssima qualidade e rapidinha.
Mas esta não é uma particularidade do Beirute não. Gosto muito da comida do Daniel Brian, um francesinho que fica na 104 N. O atendimento é meio lentinho ( melhor que do Beira contudo), mas eles não aceitam cartões de nenhuma espécie. Nem débito e nem crédito. O comércio é uma ação de mão dupla. O uso do cartão de crédito é uma segurança para o cliente. Nos dias de hoje não dá pra ficar andando com dinheiro ou mesmo cheque na bolsa e principalmente a quantia suficiente para pagar as despesas do Brian. Quando o comerciante não quer perder nenhum pouquinho dos seus lucros para me dar esta garantia me sinto lesada. Só vou lá quando um amigo insiste muito, mas em geral quando exponho os motivos para não ir lá eles são acatados.
É uma pena, pois a comida é ótima.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Literatura

Nem sempre fui leitora. Meus pais são leitores mas não são vorazes. Quando meninos, eu e meu irmão, tínhamos direto a escolher um livro por mês para lermos. O livro era comprado junto com as compras do mês no Carrefour sul aqui em Brasília mesmo. De lá saíu a minha coleção de "Anedotas do bichinho da maçã" do Ziraldo. Piadinhas leves, sem pretenções mas adorávamos.
Depois foi a vez da coleção vaga-lume que a escola indicava. Creio que devo ter lido todos. O que eu mais gostei foi Barcos de Papel. Contava a história de uma turma que saíu de férias e se perdeu numa caverna sem conseguir sair. Eu adorei.
O primeiro livro "de gente grande"que eu li foi Ana Terra, que minha mãe comprou pra mim num sebo. Claro que fiquei apaixonada pela personagem. E de lá pra cá a leitura foi uma constante na minha vida. Leio de tudo. De Mauro Wolf com Teorias da Comunicação, ao Saramago.
Por falar em Saramago, li recentemente "As intermitências da morte". Simplesmente maravilhoso. O livro que conta a história de uma morte temperamental que em determinado país, determinado dia resolve não matar mais. É fabulosa a capacidade criativa que vem disto. Passa-se a ter uma infinidades de ações, mercados e ausência de mercados em torno da ausência da morte.
Aliás outro livro incrível que tem a morte por protagonista é "A menina que roubava livros". A morte conta a suas peripécias durante a segunda guerra mundial dando enfoque numa certa garotinha.
Recomendo os dois.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Leões e Cordeiros

Assisti vários filmes nos últimos dias. Todos os besteróis disponíveis exceto o que eu de fato queria O melhor amigo da noiva. Assisti Sexy and the City. É um bom filme de seção da tarde com pessoas que se amam, se perdem e se reencontram. É bonitinho. Assisti Indiana Jones, já comentado aqui. Assisti As crônicas de Nárnia: O príncipe Cáspian, com e minha filha. Muito bom. Muitos efeitos especiais e uma história que mostra que tem tempo para tudo na vida. Tenho uma lista grande de filmes que me interessam e estão em cartaz. Começarei a vencê-la amanhã com A Outra.
Mas quero falar de um filme que vi em DVD Leões e Cordeiros. Com diálogos longos e cortantes, um cenário simples e um elenco de primeiríssima, o filme mostra as mazelas da política, da guera contra o terrorismo, da imprensa e da vida de um professor de ciência política. O filme, feito apenas de diálogos e algumas cenas de guerra, mostra os diversos interesses envolvidos nesta empreitada. O do senador, interpretado pelo Tom Cruise, interessado em mudar a opinião pública e ser candidato a presidente. O de dois bons alunos do professor interpretado por Robert Redford. Um dos alunos é afro-descendente e o outro hispânico e eles se alistam como voluntários para lutar no Iraque. Redford tenta demovê-los da idéia, mas é em vão. E há Meryl Streep, brilhante como sempre, no papel de uma jornalista conceituada e madura contactada pelo senador para ser a portadora da "boa nova" sobre a guerra no Iraque.
O desfecho é maravilhoso, sem finais simples e lugares comuns. Acho que o único pecado do filme é o fim dado aos jovens ex-alunos de Redford mas vale a pena cada minuto do filme. Fica a minha dica.

domingo, 22 de junho de 2008

MST

Na última semana oficializei minha saída do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Foi um ano de grande aprendizado. Aprendi muitas coisas boas e ruíns.
O MST nasceu em Janeiro de 2005, em Curitiba. De lá para cá ganhou legitimidade e força. É um movimento que reúne agricultores sem terra ( por óbvio), intelectuais sensíveis à causa e simpatizantes da luta pela Reforma Agrária.
Todos os países desenvolvidos fizeram a Reforma Agrária. O Brasil, não. A Constituição de 1988, reigida sob a égide da direita e que saiu com pinta de esquerda, para citar Ricardo Noblat ( Noblat, 2004), não menciona a palavra "latifúndio". E hoje em dia não é só a grande propriedade de terra que ameaça o pequeno produtor. São as grandes multinacionais, com sua política monocultora que produz madeira aqui, degrada o solo aqui, acaba com a biodiversidade daqui para exportar e lá usar tecnologia e transformar em produto industrializado gerando emprego e renda. Ou seja, para o país de origem resta apenas os prejuízos da produção.
Os meios de manifestações do movimento são diversos e sempre criativos. O mais comum, e noticiado, são as ocupações. Ocupam terras improdutivas para pressionar o governo a fazer a reforma agrária. Ocupam prédios públicos para reivindicar crédito para produzir, escola para suas crianças e casas para as famílias. Fazem marchas pelas estradas e vias públicas país a fora para sensibilizar a população para a sua luta. É importante lembrar que os grandes produtores também recorrem ao erário público para produzir e uma vez a cada 3 anos vêm com seus tratores e picapes ocupar a esplanada dos ministérios para não pagarem os empréstimos feitos com o governo. A diferença é que a mídia legitima a manifestação dos grandes e criminaliza a dos Sem Terra.
Claro que o MST tem defeitos, mas merece todo o nosso reconhecimento, apoio e luta.