Descobri esta semana o Valor Econômico. Este veículo sempre me causou arrepios. Eu não gosto de economia e durante muito tempo tive verdadeira ojeriza de qualquer coisa que contivesse mais que três número num parágrafo. Eu melhorei. Alertada pela Patrícia, minha erudita chefe, li no Valor Econômico uma matéria belíssima do Paulo Totti sobre o Campus de Chapadinha da Universidade Federal do Maranhão. Como disse a Pat, digna de prêmio.
Hoje descobri o blog do Pedro Dória. É maravilhoso. O post sobre a pobre Honduras está simplesmente maravilhoso. Futricando o site descobri o discurso da Ângela Merkel, chanceler alemã, no parlamento de Israel. Lindo. Semana de descobertas.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Copa 2014
Eu não sou fanática por futebol. Não acho exatamente justo os mega salários pagos a alguns bailarinos de talento incrível. Também não acho justa às cobranças morais feitas às bobagens aprontadas por estas crianças que vêm suas vidas alteradas do dia para a noite, saindo da quase miséria para salários astronômicos e mil regalias, sem que tenham amparo pscicológico ou familiar para isto. Mas é um esporte bonito, tem garra, tem força, tem alegria. Por isto posso entender a paixão que o futebol desperta mundo a fora e no Brasil particularmente. Fiquei feliz quando soube que o Brasil seria sede da Copa de 2014, acho que o povo brasileiro merece assisitir de perto este espetáculo. Porém acho que nem todos pensam assim.
Acompanhei uma audiência pública na Comissão de Infra-Estrutura do Senado Federal, quinta-feira passada e dois senadores, Heráclito Fortes e Mão Santa, criticaram o governo brasileiro por sediar a copa do mundo. O argumento dos senadores é que o volume de recursos gastos para preparar o país para o evento é um absurdo diante das enormes mazelas que o país tem. Concordo com os senadores que as mazelas são muitas, mas acho que os invesimentos em infra-estrutura, como melhorias nos aeroportos, construções de alojamentos e estádios, é um benefício para um país que está crescendo. O comandante Nicácio Silva, presidente da Infraero, um dos convidados na audiência, afirmou que todas as cidades que foram escolhidas para ser sede dos jogos tinham obras de ampliação e melhorias previstas, exceto Cuiabá. Ou seja, já ocorreriam obras antes da definição da copa. Isto é sinal de que o país está crescendo. E não se pode ignorar o volume de recursos que eventos como este trazem para o país. Movimenta o setor hoteleiro e de turismo, emprega muita gente e muita gente tem que ser qualificada para atender estas pessoas. E conhecimento gerado não vai embora junto com a copa ele fica no país.
Portanto, acho que os senadores, cuja casa não vive seus melhores momentos, terão dificuldades em ganhar brasileiros para fazer oposição justo com a Copa do Mundo. Talvez possamos sugerir que os recursos que serão devolvidos aos cofres da União pelos servidores beneficiados pelos Atos Secretos sejam destinados a reduzir as mazelas do país. É bom lembrar que estes não benficiam mais ninguém além do seleto grupo escolhido pelos senadores.
Acompanhei uma audiência pública na Comissão de Infra-Estrutura do Senado Federal, quinta-feira passada e dois senadores, Heráclito Fortes e Mão Santa, criticaram o governo brasileiro por sediar a copa do mundo. O argumento dos senadores é que o volume de recursos gastos para preparar o país para o evento é um absurdo diante das enormes mazelas que o país tem. Concordo com os senadores que as mazelas são muitas, mas acho que os invesimentos em infra-estrutura, como melhorias nos aeroportos, construções de alojamentos e estádios, é um benefício para um país que está crescendo. O comandante Nicácio Silva, presidente da Infraero, um dos convidados na audiência, afirmou que todas as cidades que foram escolhidas para ser sede dos jogos tinham obras de ampliação e melhorias previstas, exceto Cuiabá. Ou seja, já ocorreriam obras antes da definição da copa. Isto é sinal de que o país está crescendo. E não se pode ignorar o volume de recursos que eventos como este trazem para o país. Movimenta o setor hoteleiro e de turismo, emprega muita gente e muita gente tem que ser qualificada para atender estas pessoas. E conhecimento gerado não vai embora junto com a copa ele fica no país.
Portanto, acho que os senadores, cuja casa não vive seus melhores momentos, terão dificuldades em ganhar brasileiros para fazer oposição justo com a Copa do Mundo. Talvez possamos sugerir que os recursos que serão devolvidos aos cofres da União pelos servidores beneficiados pelos Atos Secretos sejam destinados a reduzir as mazelas do país. É bom lembrar que estes não benficiam mais ninguém além do seleto grupo escolhido pelos senadores.
domingo, 3 de maio de 2009
Sobre tempos e heróis
O que falar do tempo? Só que ele voa e falta. Mal tenho tido tempo de conversar com as pessoas, quanto mais de dar meus pitacos sobre a vida. Mas tenho pitacos sobre a vida. E quero dizer que a discussão entre Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes me encheu de orgulho. Segue a opinião de Jorge Portugal. Faço minhas as palavras dele.
Supremo ministro
Naquele 22 de abril de 2009, nenhum nobre navegante português ousaria nos "descobrir". Descobertos fomos pelos olhos e pela voz do primeiro negro que, com altivez e coragem, no topo da nau capitânia do judiciário, admoestou o pretenso comandante.
Naquele 22 de abril de 2009, não caberia um 7 de setembro em que o filho do rei, futuro imperador do país, daria gritos de independência às margens de um riacho qualquer; ali, ouvimos o brado da liberdade e da insubmissão da voz abafada do povo, silenciada por séculos pelos donos do poder, através de sucessivos crimes de lesa-cidadania: "Respeito, ministro! Vossa Excelência não tem condições de dar lição de moral em ninguém!"
Naquele 22 de abril de 2009, nenhuma princesa "bondosa" assinaria uma vaga lei que nos concedia liberdade, mas nos cassava a condição de cidadãos, proibindo-nos o voto, a escola de qualidade e o trabalho digno; presenciamos, sim, a abolição proclamada em nossas almas, 121 anos depois, pela voz corajosa de um Luís Gama redivivo, encarnando todos os quilombos massacrados e abrindo os portões de todas as senzalas: "Vossa Excelência não está nas ruas; está na mídia destruindo a credibilidade de nossa justiça!"
Naquele 22 de abril de 2009, nenhum marechal, de pijama, ousaria proclamar república nenhuma; o pacto de poder que condenou a maioria de nossa gente a ser um povo de segunda classe viu-se desmascarado pela indignação patriótica de um João Cândido reeditado, que fez a chibata girar em movimento contrário, açoitando o lombo dos que se acostumaram a bater, por séculos a fio: "Respeito, ministro! Vossa Excelência não está falando com seus capangas do Mato Grosso!"
Naquele dia, Ogum, Xangô e Oxóssi desceram os três num corpo só e reafirmaram a presença arquetípica da África dentro de nós. Todos os movimentos aparentemente derrotados dos nossos heróis anônimos puseram-se de pé, vitoriosos, mesmo que não tivessem vencido uma só batalha. A Revolta dos Búzios, a Revolução dos Malês, o Quilombo dos Palmares, todos, reencenaram seus teatros de operação e puderam, séculos depois, derrotar simbolicamente o inimigo.
Naquele dia, saíram às ruas todas as escolas de samba, de jongo, todos os blocos afros; bateram os candomblés e as giras de umbanda, a procissão da Boa Morte, o Bembé do Mercado de Santo Amaro; brilharam os pequenos olhos da criança negra recém-nascida ao descortinar a luz azul de um futuro melhor.
Naquele dia, materializando todos os nossos sonhos e desejos secularmente negados, Vossa Excelência deixou de ser apenas um ministro do Supremo Tribunal Federal para tornar-se o supremo ministro de todos os brasileiros.
* Por Jorge Portugal, educador e poeta. Publicado no jornal A Tarde, da Bahia, de 28.4.09.
Supremo ministro
Naquele 22 de abril de 2009, nenhum nobre navegante português ousaria nos "descobrir". Descobertos fomos pelos olhos e pela voz do primeiro negro que, com altivez e coragem, no topo da nau capitânia do judiciário, admoestou o pretenso comandante.
Naquele 22 de abril de 2009, não caberia um 7 de setembro em que o filho do rei, futuro imperador do país, daria gritos de independência às margens de um riacho qualquer; ali, ouvimos o brado da liberdade e da insubmissão da voz abafada do povo, silenciada por séculos pelos donos do poder, através de sucessivos crimes de lesa-cidadania: "Respeito, ministro! Vossa Excelência não tem condições de dar lição de moral em ninguém!"
Naquele 22 de abril de 2009, nenhuma princesa "bondosa" assinaria uma vaga lei que nos concedia liberdade, mas nos cassava a condição de cidadãos, proibindo-nos o voto, a escola de qualidade e o trabalho digno; presenciamos, sim, a abolição proclamada em nossas almas, 121 anos depois, pela voz corajosa de um Luís Gama redivivo, encarnando todos os quilombos massacrados e abrindo os portões de todas as senzalas: "Vossa Excelência não está nas ruas; está na mídia destruindo a credibilidade de nossa justiça!"
Naquele 22 de abril de 2009, nenhum marechal, de pijama, ousaria proclamar república nenhuma; o pacto de poder que condenou a maioria de nossa gente a ser um povo de segunda classe viu-se desmascarado pela indignação patriótica de um João Cândido reeditado, que fez a chibata girar em movimento contrário, açoitando o lombo dos que se acostumaram a bater, por séculos a fio: "Respeito, ministro! Vossa Excelência não está falando com seus capangas do Mato Grosso!"
Naquele dia, Ogum, Xangô e Oxóssi desceram os três num corpo só e reafirmaram a presença arquetípica da África dentro de nós. Todos os movimentos aparentemente derrotados dos nossos heróis anônimos puseram-se de pé, vitoriosos, mesmo que não tivessem vencido uma só batalha. A Revolta dos Búzios, a Revolução dos Malês, o Quilombo dos Palmares, todos, reencenaram seus teatros de operação e puderam, séculos depois, derrotar simbolicamente o inimigo.
Naquele dia, saíram às ruas todas as escolas de samba, de jongo, todos os blocos afros; bateram os candomblés e as giras de umbanda, a procissão da Boa Morte, o Bembé do Mercado de Santo Amaro; brilharam os pequenos olhos da criança negra recém-nascida ao descortinar a luz azul de um futuro melhor.
Naquele dia, materializando todos os nossos sonhos e desejos secularmente negados, Vossa Excelência deixou de ser apenas um ministro do Supremo Tribunal Federal para tornar-se o supremo ministro de todos os brasileiros.
* Por Jorge Portugal, educador e poeta. Publicado no jornal A Tarde, da Bahia, de 28.4.09.
domingo, 5 de abril de 2009
Sobre a semana
Não podia deixar de comentar sobre a semana. Foi gloriosa para o presidente Lula, não sei se para o Brasil, mas sem dúvida foi uma grande semana para o homem humilde que saiu de Garanhuns, em Pernambuco. Filho de família pobre, de mãe guerreira, o homem Luiz Inácio Lula da Silva, não só é o presidente com maior popularidade do seu país. Ele é o presidente que recebe reconhecimento internacional e pelo presidente do país mais influente do mundo, Barack Obama. Isto é ótimo.
Não tenho dúvidas de que são sinais de novos tempos. Não só porque é Lula e porque é Obama. Mas mostra que a solução para a crise mundial passa por uma nova ordem. Passa pela inclusão de países como o Brasil, China, Índia e Rússia. Passa pela solidariedade entre os povos, como a criação de um fundo que tem por doadores países como o Brasil, mudando uma realidade antiga quando éramos devedores do Fundo Monetário Internacional. E eu estou muito feliz que seja o ex-torneiro mecânico o presidente deste Brasil.
Não tenho dúvidas de que são sinais de novos tempos. Não só porque é Lula e porque é Obama. Mas mostra que a solução para a crise mundial passa por uma nova ordem. Passa pela inclusão de países como o Brasil, China, Índia e Rússia. Passa pela solidariedade entre os povos, como a criação de um fundo que tem por doadores países como o Brasil, mudando uma realidade antiga quando éramos devedores do Fundo Monetário Internacional. E eu estou muito feliz que seja o ex-torneiro mecânico o presidente deste Brasil.
domingo, 15 de março de 2009
Sobre Elefantes e Prada
Já faz um tempo que não posto por pura falta de tempo. Mas tenho tido tempo para ler. Li A Viagem do Elefante, do português José Saramago e li O Diabo Veste Prada. Li também O fio das missangas, do moçambicano Mia Couto, mas este precisa de um post só para ele.
Em A Viagem do Elefante, Saramago conta a inacreditável, porém verídica, história da entrega do presente dado pele Rei de Portugal, Dom João III, para o arquiduque de Áustria, Maximiliano, primo de sua esposa. O presente era, pasmem, um elefante. E ele foi levado de Lisboa para Valladolid, na Espanha, e de lá para a Áustria, andando em caravana. O desenrolar da história é recheado de sátira sutil, críticas a uma sociedade hipócrita que fingir a ponto de se enganar. O livro é bom, diferente de tudo o que Saramago já escreveu. Vale a leitura pelo autor, não pelo livro.
Já o Diabo Veste Prada, da americana Lauren Weiseberger, é delicioso do início ao fim. Muito bem escrito, conta a experiência de uma jornalista recém-formada na mais conceituada revista de moda do mundo. Ela troca nomes, mas se trata da relação de Ana Wintour, da revista Vogue, com os seus funcionários. O livro também faz uma crítica ao mundo da moda, que aí cabe discussão. A "chefe"do livro é uma megera de marca maior e o livro faz parecer que é porque ela trabalha com moda e que todos no mundo da moda são fúteis e infelizes. Não acredito nisto. Gosto de moda, não sou escrava, mas alguém precisa desenhar e costurar o que eu vou vestir e não vejo nenhum mal em isto ser bem feito. O livro é fenomenal pela história, não pelo tema. Ah e pela primeira vez na vida, eu gostei mais do filme que do livro.
Em A Viagem do Elefante, Saramago conta a inacreditável, porém verídica, história da entrega do presente dado pele Rei de Portugal, Dom João III, para o arquiduque de Áustria, Maximiliano, primo de sua esposa. O presente era, pasmem, um elefante. E ele foi levado de Lisboa para Valladolid, na Espanha, e de lá para a Áustria, andando em caravana. O desenrolar da história é recheado de sátira sutil, críticas a uma sociedade hipócrita que fingir a ponto de se enganar. O livro é bom, diferente de tudo o que Saramago já escreveu. Vale a leitura pelo autor, não pelo livro.
Já o Diabo Veste Prada, da americana Lauren Weiseberger, é delicioso do início ao fim. Muito bem escrito, conta a experiência de uma jornalista recém-formada na mais conceituada revista de moda do mundo. Ela troca nomes, mas se trata da relação de Ana Wintour, da revista Vogue, com os seus funcionários. O livro também faz uma crítica ao mundo da moda, que aí cabe discussão. A "chefe"do livro é uma megera de marca maior e o livro faz parecer que é porque ela trabalha com moda e que todos no mundo da moda são fúteis e infelizes. Não acredito nisto. Gosto de moda, não sou escrava, mas alguém precisa desenhar e costurar o que eu vou vestir e não vejo nenhum mal em isto ser bem feito. O livro é fenomenal pela história, não pelo tema. Ah e pela primeira vez na vida, eu gostei mais do filme que do livro.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
A crise dos jornais
Fui para a chácara dos meus pais passar o Carnaval em Paracatu, noroeste de Minas. Paracatu fica a 233 km de Brasília, umas duas horas e meia de viagem. Preferi sair no sábado pela manhã e não na sexta-feira no fim do dia para evitar a noite na estrada e o movimento de carros, que imaginei estaria menor. Não sei como foi na sexta, mas no sábado o trânsito estava muito intenso, com engarrafamento perto de Cristalina/GO.
Uma coisa me chamou a atenção em especial: o número de taxistas que estavam, nitidamente, viajando com a família. Será que eles não lêem os jornais e, portanto, não sabem que estamos no meio de uma crise financeira tremenda e, portanto, que o momento é de ficar e trabalhar? Será que eles não sabem que o desemprego teve a maior alta desde que o número passou a ser registrado?
Hoje na volta, chegando em Luziania/GO, vimos 6 cegonhas carregadas de carros estacionadas num posto de gasolina. Será que os donos das concessionárias também não leram os jornais e não viram que estamos no meio de uma crise e que o povo brasileiro está quebrado?
Acho que com tanta gente não lendo jornais, os veículos estão condenados à falência...
Uma coisa me chamou a atenção em especial: o número de taxistas que estavam, nitidamente, viajando com a família. Será que eles não lêem os jornais e, portanto, não sabem que estamos no meio de uma crise financeira tremenda e, portanto, que o momento é de ficar e trabalhar? Será que eles não sabem que o desemprego teve a maior alta desde que o número passou a ser registrado?
Hoje na volta, chegando em Luziania/GO, vimos 6 cegonhas carregadas de carros estacionadas num posto de gasolina. Será que os donos das concessionárias também não leram os jornais e não viram que estamos no meio de uma crise e que o povo brasileiro está quebrado?
Acho que com tanta gente não lendo jornais, os veículos estão condenados à falência...
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Sempre pode melhorar
Ontem eu fui ao Daniel Briant, um restaurante francês do qual já falei antes aqui. Da outra vez eu o critiquei. Hoje venho elogiar. A minha crítica é que ele não aceitava cartões e ontem pude pagar com cartão de débito. A comida é muito boa. Há cafés, quiches, tortas deliciosas, sopas incríveis (para quem gosta) e outras guloseimas. Agora vale experimentar.
Ah, ele fica na 103N.
Ah, ele fica na 103N.
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